Em direto
A resposta aos danos da depressão Kristin e a evolução do estado do tempo

Fronteira entre Gaza e o Egito reabre sob controlo israelita e com circulação limitada

Fronteira entre Gaza e o Egito reabre sob controlo israelita e com circulação limitada

Israel autorizou a reabertura gradual da fronteira entre Gaza e o Egito. A partir desta segunda-feira, palestinianos feridos ou separados da família podem atravessar a passagem de Rafah, como estabelece o acordo de cessar-fogo de outubro de 2025.

RTP /
Foto: Reuters

Depois de uma experiência inicial no domingo, as autoridades israelitas iniciaram a reabertura oficial da passagem de Rafah para cidadãos palestinianos, em conformidade com as exigências da ONU e de várias organizações humanitárias.

O corredor será totalmente controlado por Israel, mas ainda não são conhecidas todas as condições de circulação. De acordo com a imprensa internacional, apenas 50 pessoas podem atravessar a passagem, em cada sentido, durante as seis horas diárias em que estará aberta, mediante uma autorização prévia de segurança.

Encerrada desde maio de 2024, a passagem de Rafah é considerada agora uma “tábua de salvação” a todos os doentes que procuram receber cuidados médicos no estrangeiro e já aguardam junto à fronteira com o Egito desde domingo.

Esta é a primeira abertura para o mundo exterior a doentes e feridos vítimas do conflito israelo-palestiniano. Das milhares de pessoas inscritas na Organização Mundial da Saúde (OMS) para receberem tratamentos, pelo menos 20.000 já aguardam evacuação, garantiu o Ministério da Saúde de Gaza.

As autoridades egípcias iniciaram um plano especial com 150 hospitais e cerca de 300 ambulâncias disponíveis para o tratamento de feridos e doentes palestinianos que chegam ao país a partir desta segunda-feira.

Do outro lado da fronteira de Gaza, foi ainda criada uma sala de controlo central que "opera 24 horas por dia e está em contacto constante com 27 salas de emergência e mais de 90 postos médicos e hospitais, para garantir a preparação para qualquer emergência”, escreveu Jaled Abdelghafar, ministro egípcio da Saúde, em comunicado.

O caminho inverso, para palestinianos retidos no estrangeiro desde 2024, também está sob controlo e vigilância das autoridades israelitas, que só autorizam o regresso aos cidadãos que se façam acompanhar por uma quantidade limitada de bagagem e medicamentos.

Abu Watfa deixou o bairro de al-Karama, em Gaza, em abril de 2024, com a ideia inicial de se aumentar por apenas oito semanas, mas ficou impedida de regressar depois do encerramento da passagem.

“É uma sensação indescritível, a de que alguém vai voltar para se reunir com os seus filhos e família. Estou preparada para entrar em Gaza, ser revistada e ficar cansada por uma semana inteira, para ser arrastada durante a viagem até chegar a Gaza”, confessou à Reuters.

Ainda sem data conhecida, espera-se ainda que 15 membros do Comité Nacional para a Administração de Gaza, responsáveis por gerir o território sob a autoridade do Conselho de Paz de Donald Trump, cheguem à cidade em breve.

A reabertura total da passagem de Rafah, por sua vez, também está prevista no plano de paz do presidente norte-americano para colocar um ponto final definitivo ao conflito iniciado em outubro de 2023.

A fronteira deverá manter-se, no entanto, fechada para a entrada de ajuda internacional e bens comerciais em território palestiniano. O apoio humanitário continua, assim, a chegar a Gaza a partir de Kerem Shalom, a poucos quilómetros de Rafah.

A decisão de abertura da passagem de Rafah foi tomada após a chegada a Gaza de uma missão de vigilância da União Europeia – EUBAM Rafah –, que será responsável por supervisionar a passagem de palestinianos desde e para o Egito.
Tópicos
PUB